13 de novembro de 2011

Reiteração II

ESPINHO E GLÓRIA
Eu só queria escrever.
E deu nisso.
Um abismo e o Everest.
Um decathlon.
Duas coroas.

Reiteração

Eu escrevo, mas sou só começo. E se escrevo é para ficar atenta a alguma fala que poderá ser minha, do meu jeito que ainda não sei. Pode ser que eu escreva só para isso: para encontrar. Mesmo assim, é só começo. Não é nada muito digno de amparo e alardes, sou só eu e a palavra. O que se inverte. Se houver leitor, daí é tudo. Porque três é a perfeição: eu, a palavra e o leitor, como a Santíssima Trindade: três, mas um; um, mas três.

29 de outubro de 2011

Tá com medo? Lê um livro!

Se você quer dar uma ajudinha a alguém que está com medo de tomar uma decisão importante, ou dar um toque em uma pessoa que tem medo de tudo, existe um livro perfeito para isso. É o CHAPEUZINHO AMARELO, do Chico Buarque. Nele, Chapeuzinho Amarelo encontra um jeito bem diferente de espantar o medo. Com uma boa dedicatória, este livro pode ajudar muito marmanjo medroso!

O melhor de tudo é que você nem precisará comprar o livro, pois o ITAÚ CULTURAL está doando este e outros dois livros a quem se cadastrar aqui: http://ww2.itau.com.br/itaucrianca/peca_colecao.aspx.





Chapeuzinho Amarelo,
de Chico Buarque
Ilustrações de Ziraldo
José Olympio Editora

14 de outubro de 2011

Inauguração no Varal

Eu realmente gosto de ler livros de Literatura Infantil e Juvenil. E esta paixão começou nos tempos de Faculdade, quando percebi uma verdadeira lacuna: os estudantes de Pedagogia não são estimulados a ler Literatura, menos ainda Literatura Infantil.
Por esta razão, comecei, já no primeiro ano da graduação, procurar autores que enxergassem aquele vácuo como eu enxergava e experimentava, na prática. Entre diversos autores que se preocupavam com a leitura de Literatura por parte dos professores (nem tanto na graduação, mas já na sala de aula), encontrei uma comparação perfeita da Ana Maria Machado que dizia mais ou menos assim:
"Acreditar que um professor que não lê queira fazer uma criança ler é o mesmo que pensar em um instrutor de natação que não saiba nadar".
E por aí eu fui lendo, lendo, fiz minha monografia dentro do tema, apesar de ser apenas uma aluna de pedagogia, e cada vez mais me apaixonei pelos livros escritos, ilustrados, produzidos para crianças. E comecei a querer presentear adultos com estes livros. E gostei da ideia.

(Você pode vir direto pra cá se não gostar de explicações)

E esta é a razão deste post: VARAL DE LIVROS - livros de Literatura Infantil para adultos. Dicas de presente, receita literária para males diversos, sorriso à domicílio e tudo mais que a Literatura Infantil pode nos oferecer. A nós, que somos tão quadradinhos; sim, a nós, crianças estragadas de tão maduras no pé-da-vida. Eba!




E para estreia, começo com a maravilhosa Tatiana Belinky, com seu livro LIMERIQUES DE UM BÍPEDE APAIXONADO.

Veja bem, é um livro indicado para leitura de todos românticos, bípedes ou não. Mas, ele é o PRESENTE IDEAL para quem for apaixonado por uma bióloga ou veterinária, ou até mesmo uma mulher que seja apaixonada por bichinhos.

São poemas do tipo limeriques que garantem um tom bem alegre ao livro, sem perder o romantismo, claro!

Limeriques de um Bípede Apaixonado
Tatiana Belinky
Editora 34

7 de setembro de 2011

"Aquela multidão tá ali. (...) Serão eles que vão frequentar? Certamente não nos frequentarão. Nós teremos que criar algum tipo de programa para poder interagir com esta população."

Danilo Miranda,  Diretor do SESC de São Paulo, em Sempre Um Papo

Cracolândia, São Paulo/SP - porque a verdade também é beleza! 
Foto daqui: http://www.tvcartamaior.com.br/cmimagens/20090530/017.jpg

Ah, se fosse eu a dizer, a gritar e a agir: "Nós teremos que criar algum tipo de programa para poder interagir com esta população". Muito bom que este Danilo falou! E ele falou de uma unidade do SESC que está sendo construída no bairro Bom Retiro, vizinho à Cracolândia. E a multidão, e a população, e as pessoas de quem ele está falando são os usuários. Não os usuários de cultura, mas os de crack, os de rua, os de miséria.

Não é nova a minha preocupação com a população em situação de rua, embora ainda seja muito, muito, muito pouca. Recentemente apresentei no PROAC-ICMS (um programa do Governo do Estado de São Paulo que apoia a produção cultural através do incentivo fiscal) o projeto BRINQUEDOTENDA, idealizado pela missionária Livia Maria, da Associação Aliança de Misericórdia. Uma Brinquedoteca do mais alto nível, para as crianças em situação de rua. Mas fomos reprovados pelos entraves burocráticos! Porém, não desistimos!

Nesse fervilhar das coisas, dos pensamentos, desta fala do Danilo, passei a me deter mais e mais no direito de acesso à cultura que nos é garantido na Constituição Federal. É verdade que a população de rua é privada da maioria destes direitos básicos. Mas eu não posso oferecer tudo, posso oferecer parte, uma pequena parte e só.

E agora? Faço o quê?

Não posso terminar este texto, disso eu sei. Por que fica, e me deixo, a pergunta: como alcançá-los? Como ofertá-lo, este bem tão precioso?

Não tenho a resposta. Pegunta com resposta é retórica e eu quero mesmo é saber...

Quem finaliza é a Cora, a Aninha:

Conclusões de Aninha

                                                                (Cora Coralina)


Estavam ali parados. Marido e mulher.
Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça
tímida, humilde, sofrida.
Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho,
e tudo que tinha dentro.
Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar
novo rancho e comprar suas pobrezinhas.


O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula,
entregou sem palavra.
A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou,
se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar
E não abriu a bolsa.
Qual dos dois ajudou mais?


Donde se infere que o homem ajuda sem participar
e a mulher participa sem ajudar.
Da mesma forma aquela sentença:
"A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar."
Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada,
o anzol, a chumbada, a isca, apontar um poço piscoso
e ensinar a paciência do pescador.
Você faria isso, Leitor?
Antes que tudo isso se fizesse
o desvalido não morreria de fome?
Conclusão:
Na prática, a teoria é outra.

Aqui o vídeo do Danilo na íntegra. Uma das boas partes está entre o tempo 3m30s e 5m. Mas vale muito a pena ver o vídeo todo: