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11 de agosto de 2012

Você sabe o que são neoleitores?

Nesse mês de agosto eu recebi um presente do SESI/SP: a oportunidade de estar com alunos de EJA, seus professores e coordenadores, em 4 cidades do ABC.

Em todos as unidades (Mauá, Santo André, São Caetano do Sul e São Bernardo do Campo), eu iniciei o bate papo com um poema de Fernando Pessoa:

LIBERDADE

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,

Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Logo depois, eu dividi com eles os 10 direitos imprescritíveis do leitor, de Daniel Pennac. E o primeiro deles, O DIREITO DE NÃO LER, foi o que mais espantou as turmas. E nessa hora os coordenadores e professores devem ter ficado de cabelo em pé.

Aliás, todos eles leram, em primeira mão, os poemas do meu livro PÉ DE ALGUMA COISA PEDE OUTRA, escrito especialmente para eles, alunos de EJA. Eu vi sorrisos, e gostei muito! Os cabelos também saíram do pé, porque partilhei com eles do meu processo criativo, da delícia que é ler um livro que se gosta, da importância da cultura popular para a Literatura escrita e mostrei que eles já leram mais do que imaginam terem lido, pois leram o MUNDO! Agora, basta apenas se aventurar nas palavras que revelam outros mundos, outras possibilidades.

Neoleitores são aqueles homens e mulheres sensacionais que tiveram a coragem de voltar a estudar depois de 10, 20, 30 anos, que leram na vida muitas histórias e que agora começam a se aventurar na palavra escrita, na tinta que pinta o papel com a Literatura.

Eles adoraram os poemas do 5x5 que ganharam ao final do bate papo. O preferido foi esse aqui:



O projeto do SESI/SP de levar os escritores até os alunos se chama LITERATURA VIVA. E eu saí assim, bem mais viva de lá!

21 de julho de 2012

2 em 1

No próximo dia 15/08, teremos o lançamento de duas alegrias!

A primeira alegria é o meu livro O DECIFRADOR DE POEMAS. Este livro é meu primeiro livro em prosa. Primeiro publicado e também primeiro escrito. Comecei a escrevê-lo em 2007 e só em 2010 ele chegou ao formato atual. Ele é a marca do meu crescimento como escritora e a prova do quanto ainda preciso estudar e melhorar muito.

O DECIFRADOR venceu o II Prêmio CEPE de Literatura Infantil e Juvenil e toda história acontece em um lugar real para mim, um abrigo que acolhe crianças na cidade de São Paulo, a Casa Naim, da comunidade da qual faço parte, a Aliança de Misericórdia.

A história é umamistura deliciosa de realidade e de fantasia, mistura que nós adultos não deveríamos ter perdido. Não mesmo!

O livro foi ilustrado pelo Rodrigo Aguiar e ficou uma lindeza de chorar! Espero que vocês gostem. Dia 15/08 é feriado em Cubatão, então ninguém qe mora aqui pode perder essa!


A outra alegria é a primeira edição do projeto "SE ESSE PARQUE FOSSE MEU... leitura ao pé do ouvido!".

O que é isso?

Uma vez por mês, nas dependências do Parque Novo Anilinas, vamos fazer leitura ao pé do ouvido dos frequentadores que quiserem. Nesse primeiro dia, o livro que será lido será O DECIFRADOR DE POEMAS.

O projeto é uma iniciativa do Grupo Arco-íris de Misericórdia de Cubatão (Aliança de Misericórdia) e cntará com diversos voluntários e um deles pode ser você.

Para acessar a página do projeto no Facebook é só acessar aqui: https://www.facebook.com/pedoouvido

Dia 15/08, heim? Beijos!

31 de dezembro de 2011

Escrevendo os clichês de 2011...

2011 foi bem clichê.
E clichê que é clichê,
a gente escreve em versos.
Com toda certeza, nesses 365 dias (!)
eu colhi o que plantei.
Até mesmo das sementes ruins.
Mas depois das tempestades colhidas,
eu me fartei da bonança. Quanta bonança!
Publiquei meu primeiro livro,
mas outros três ficaram para 2012.
Acredite, é melhor um pássaro na mão
do que quatro voando.
Eu também fiquei muito rica,
muitíssimo rica,
você se espantaria do quão rica:
eu tenho pessoas que amo comigo.
O meu coração está nelas,
mesmo se elas estão longe,
tipo via láctea,
elas são minha riqueza
(se quiser, pode ler "tesouro").
Eu também fiz papel de boba:
tremi ao falar em público,
implorei para publicarem meus livros,
insisti e escrevi bem mal.
2011 foi intensamente clichê.
E para você eu desejo o dobro
daquilo que você deseja para mim
(menos as coisas ruins).
Matheus se formou no Ensino Fundamental
e eu lembrei que chorei
quando ele fez a primeira prova
que eu paguei com o suor do meu rosto,
das minhas mãos e dos meus olhos.
Para bom entendedor, meia palavra
basta!
Isso não é clichê, é coisa de mãe!
(o que é quase igual,
pois nós só mudamos de nome,
de endereço, de peso,
de filho e de conta bancária).
Pobre é que é feliz.
E eu sou! Pedinte absoluta
de uma riqueza que não passa.
E chega de blablablá.
Adeus, ano velho!
Feliz ANO NOVO!
(sim, com maiúsculas para soar bem forte).
E o título vai para os meus alunos! Há!
E o beijo vai para o meu namorado!